Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio

Morre Maurício Azêdo, o presidente que ressuscitou a ABI

Posted by sindicatodosjornalistas em outubro 26, 2013

mauricio Pinheiro Junior 

 Foi o jornalista que, ao assumir a presidência da Associação Brasileira de Imprensa, fez renascer a entidade centenária que se encontrava à beira do marasmo administrativo. Se tomou de amores idealísticos pela ABI com tal intensidade que talvez não seja exagero dizer que ela, a ABI, agravou de morte os cuidados que já enfrentava em consequência de insuficiências cárdio-pulmonares. As edições de sucessivo e autêntico interesse jornalistico do Jornal da ABI, editado por Maurício Azêdo em parceria com Francisco Ucha, foi sua obra de ressurreição de importância mais visível na Casa do Jornalista.

Cronista esportivo de primeira linha, arguto editorialista político, vereador pelo PDT, conselheiro do Tribunal de Contas do RJ, ex-preso político submetido a torturas e membro do antigo Partido Comunista do Brasil – o Partidão – Maurício Azêdo, de 79 anos,  estava há cinco dias em observação no Hospital Samaritano. Seu corpo seria levado hoje mesmo para o Memorial do Carmo com sepultamento previsto para amanhã. Os companheiros, porém, o queriam em câmara ardente na ABI ou na Câmara municipal, o que estava para ser decidido ainda hoje. Nesta terça-feira, 29 de outubro, o Conselho Deliberativo da ABI estará reunido inclusive para prestar homenagens ao presidente, ao jornalista e ao ilustre homem público que dedicou sua vida à congregação mais ampla dos companheiros de jornal. Foto de Alcyr Cavalcanti

* Continentino Porto

Acusado de comunista e terrorista

Oscar Maurício Azedo foi um dos jornalistas que sofreu injustiça, calúnia, tortura e até humilhações. Não foram poucas. A linha dura passaria a manobrar e implantaria um esquema de endurecimento violento, editando várias leis de Segurança Nacional e de Imprensa, culminando, a partir de dezembro de 1968, com a decretação do Ato Institucional nº5- -AI-5

Azedo suportou os interrogatórios presididos pelos coronéis, com dignidade. No depoimento feito na CGIs, os militares aplicaram o Manual de Técnicas e Interrogatórios, que foi editado pelo SNI, o mesmo que foi utilizado nos depoimentos do presidente JK, no Quartel da Polícia do Exército, na Rua Barão de Mesquita, onde estava instalado a famigerada guarnição militar das torturas e mortes. Mas não foi o suficiente. Muitas vezes ficava em silêncio, isso irritava os inquisidores.

Antes de começar os inquéritos, as apostilhas do Manuel de Técnicas e Interrogatórios eram decorados pelos militares.

Consolidado o regime militar, a linha dura começou a atuar, porém, como sempre, inábil e incapaz politicamente, determinando   que se instaurassem inquéritos através das Comissões de Inquéritos e Investigações- CGIs.

O SNI foi criado no dia 13 de junho de 1964, como única finalidade a de “superintender e coordenar” em todo o território nacional as atividades de informações e contra-informações, em particular a que interessava à Segurança Nacional

Esse monstro, que fez desmoronar dezenas de leis criadas pelo general Golbery do Couto e Silva, não só investigava, mas agia sem quaisquer escrúpulos, sendo usado até para conseguir emprego para seu filho no governo do marechal Paulo Torres, no Estado do Rio de Janeiro, como Fiscal de Renda.

Relatórios do DOPS

Os “arapongas” do DOPS fluminense descobriram em 28 de junho de 1976, que o jornalista Oscar Maurício Azedo, que dirigiu a sucursal do Diário Carioca em Niterói, estava colocando na ABI vários jornalistas considerados subversivos. Esse relatório, como outros, tiveram difusão restrita, tendo em vista que o Departamento de Ordem e Política Social quis preservar a fonte:

Um manifesto assinado por 2.574 jornalistas profissionais de São Paulo, Distrito Federal, Porto Alegre, Santos, Vitória, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Florianópolis, será entregue hoje, à presidência da Câmara dos Deputados e do Senado, pelo jornalista Pompeu de Souza, que representa a ABI. O documento foi lido pelos diversos sindicatos que comemoraram o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa.

Em outro informe, de número 3.478, de 1 de novembro de 1976: “o presidente do Sindicato do Rio já perdeu a liderança há muito tempo, que neste ano já se realizaram quatro Assembléias, nas quais os eleitores de José Machado vêm diminuindo. Os comunistas ainda não tomaram o Sindicato por dois motivos:

01-Tem usado estratégia inadequada

02-Os jornalistas que combatem os comunistas da ABI têm neutralizado as atividades dos subversivos, em parte.

03-O Sr.Dines é desconhecido do quadro social da ABI. Foi eleito com os votos dos comunistas que ingressaram na ABI em 1974. Sem o apoio dos subversivos teria 15 ou 20 votos na ABI.

04-Maurício Azedo começou atuando dentro da ABI em 1974, colocando mais de 150 subversivos como se fossem jornalistas, constando para facilitar o ingresso desses jornalistas, da Comissão de Sindicância- toda de comunistas- notórios, entre os quais Gumercindo Cabral.

05-Em 1975, Azedo colocou mais de 242 subversivos na ABI

06-Azedo fez um Curso de Guerrilha Urbana, realizado no sábado. O Curso tinha como doutrinadores o próprio Maurício Azedo, Fernando Segismundo, Fausto Cupertino, João Antonio Mesplé, Henrique João Cordeiro e Roland Corbusier.”

*Continentino Porto é presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio

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