Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio

O que Niterói precisa para ganhar a “era das cidades”

Posted by sindicatodosjornalistas em novembro 2, 2012

Pinheiro Junior*

   Manoel Gomes Maranhão, célebre diretor dos Diários Associados do Rio de Janeiro, mesmo em tempo de ditadura e de maldição das urnas, dizia que “jornalista que é jornalista mesmo, sempre fica de alcatéia quando há eleição”. E se a eleição é para prefeito e vereador, “mais de olho o jornalista fica”. Lembro esta “postura de lobo” ao pensar o quanto a “era Jorginho” fez Niterói mudar em duas décadas. É só olhar em volta e ver o MAC, o Caminho Niemeyer, ruas arborizadas, algumas até floridas, belos edifícios residenciais. Mas nosso “olhar de lobo” nos conduz também ao que Niterói não tem. Niterói não tem satisfatórias escolas públicas municipais. Porque precisa de professores bem formados, pagos condignamente e que não deixem seus alunos sem aula.  Precisa – com a mesma urgência! – de hospitais municipais realmente dotados de instalações e corpo médico capazes de atender aos doentes inclusive necessitados de socorro urgente. Precisa também de infra-estrutura urbana com mais esgoto, mais rua pavimentada e calçada que não seja a conhecida armadilha de cimento esburacado. E precisa de uma administração menos emperrada e pronta para responder às necessidades rotuladas de burocráticas. Dirão os jorgistas de plantão que são problemas que dependem quase todos de ajuda do Estado e da União. Exceção para a máquina burocrática que é “cosa nostra”.

Mas o PT agora está no poder municipal!

Em 5.565 municípios brasileiros o povo foi às urnas para celebrar, vamos dizer, a esperança que é o axioma da democracia. Não sonhos futuros, mas esperanças presentes. Talvez por isso, por caminharmos a largos passos para sermos um “país de classe média” com a força de Lula e Dilma, o PT foi o partido que mais conquistou votos nesta eleição. E se o País todo vem crescendo, as cidades parecem estagnadas. E estranguladas. Prefeitos de todos os matizes subestimaram até o mais comezinho dos problemas cotidianos, que é o trânsito de veículos. Ônibus e carros, motos e bicicletas destinados à liberdade de trabalhar e ao exercício do ir e vir estão sofrendo com a anarquia do excesso de veículos e da falta de vias adequadas. Até o direito vital de andar a pé pelas ruas virou calamidade e exacerbou o caos em vergonhosas imoralidades como a tão badalada obra do mergulhão da Marquês do Paraná.

E o túnel do Cafubá?

Meteram a cidade num garrote vil de problemas postergados anos a fio. Problemas cercados por todos os lado de exorbitantes taxas e impostos. Como o escandaloso IPTU. Como a iníqua taxa de água cobrada por uma empresa que só vence a inércia do lucro fácil se submetida a clamores e processos.

E a escorchante tarifa de energia elétrica?

O clima assim pintado parece afogado em incapacidade e cínica insensibilidade. Como se Niterói estivesse já perdendo a nave do momento presente, precisando sair às carreiras para alcançar a “era das cidades” prognosticada pela agência Habita da ONU. É a era que começa a comandar a economia do Planeta.  Economistas e cientistas políticos não têm dúvidas de que os engarrafamentos, a favelização, o racionamento de praças e parques verdes, a poluição dos ônibus em excesso e a escassez de transporte de massa, como trens e metrôs, machucam não apenas o cidadão reduzindo ganhos honestos e aumentando doenças graves. Derrubam o próprio desenvolvimento econômico nacional, cidade após cidade, massacrando em cascatas a capacidade de o País crescer.

E a desordenada da construção imobiliária?

Niterói que agora tem novo prefeito, tem mais torcida para se integrar no rol das cidades que poderão comandar a riqueza do Estado. E por consequência, a prosperidade desejada para o Brasil. Mas é preciso vencer as barreiras municipais que roubam produtividade de empresas e trabalhadores.

 (*) José Alves PINHEIRO JUNIOR é jornalista, autor dos livros “A Ultima Hora (como ela era”, “Bombom ladrão”, “Mefibosete e outros absurdos”, “Aventuras dos meninos Lucas-Pinheiro” e “Esquadrão da Morte”. Foi repórter, editor e diretor de jornais, revistas, TV e rádio em cidades brasileira, entre as quais Rio de Janeiro e Niterói.

Frango na calçada                 

Ernesto Vianna

   Niterói, a noiva recém conquistada pelo jovem Rodrigo, anda aflita. Suas vestes não condizem com seu porte, nem com sua riqueza, tampouco com sua beleza física, feita por natureza exuberante. O moço do PT tem o compromisso de logo cingi-la e enfeitá-la, com o “sim” dito por 52,55% das células de seu corpo.

   Simples passeio pelas ruas da ex-capital do Estado evidencia as aflições da cidade, que tem um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 10,8 bilhões. A cidade é a 41ª maior economia municipal do Brasil e a quarta do Rio de Janeiro. É conhecida pela menor incidência de pobreza do RJ (12%).

   Fica difícil explicar as cenas medievais que se vê em passeios a pé ou de carro. Onde estão as calçadas de piso regular ? Árvores bem podadas, a primavera com flores ? Por aonde anda o pessoal de posturas, ou a ação do serviço social ?

   É fácil notar, mesmo na Zona Sul, os frangos assando na calçada, em grande quantidade, em todas as esquinas, colocados ali pelas padarias que extrapolam a área de seu comércio, agredindo o poder municipal e boa parte da população.

   Afinal, quem se interessa por essas aves assim, espetadas por aguilhões e pingando gordura de suas peles em encharcadas batatas, colocadas embaixo, ao nível do piso ? Tostadas pelos picos de eletricidade da Ampla, no mínimo deixam supor o envultamento de algum inimigo, como se fazia com bonecos no Egito antigo.

   No Centro, a população de rua aumenta, e a situação se apresenta nas calçadas da Amaral Peixoto. Antes das 9 horas, proliferam os acampamentos em frente às agências bancárias, que são, de certa forma, os ícones da nova classe média brasileira. A bem da verdade, forjada pelo Partido dos Trabalhadores.

   Em Santa Rosa, onde mais se constrói prédios no momento, é tarefa complicada para os pedestres desviar dos tapumes e dos fios de alta tensão, evitando eles próprios acidentes que deveriam ser prevenidos antes pelas construtoras, com placas de aviso. Para dar lugar a edifícios, as velhas casas estão sendo uma a uma demolidas. E os moradores do bairro vivem um novembro despedaçado.

   Rodrigo ainda não assumiu, mas seria de bom alvitre adestrar bem sua notória sensibilidade política para as questões tão comuns, que estão colocando a noiva recém desposada em justa aflição. Certamente é possível fazer alguma coisa para acalmar Niterói, que como já disse Pinheiro Junior, grita para entrar na “era das cidades”.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: