Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio

SJPERJ solidário com Julian Assange

Posted by sindicatodosjornalistas em agosto 20, 2012

A Diretoria do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (SJPERJ) manifesta solidariedade a Julian Assange, editor responsável pelo site WikiLeaks e saúda o governo do Equador pela concessão de asilo político ao jornalista que vem sendo assediado pelos governos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Suécia.

O SJPERJ condena com veemência às ameaças feitas pelo governo britânico de não respeitar o direito de asilo político e de utilizar o uso da força para prender Assange no interior da representação diplomática do Equador em Londres.

Entende a diretoria que tais ameaças se concretizadas representariam  total subversão do direito internacional e com isso se estaria abrindo um precedente perigoso à legislação internacional. 

É dever de todos os jornalistas e defensores das liberdades de expressão e de imprensa solidarizar-se com Assange, que se for deportado para a Suécia o será posteriormente para os Estados Unidos. O governo deste país tem feito campanhas insidiosas contra Assange porque não se conforma com as informações veiculadas no WikiLeaks sobre ações ilegais da diplomacia norte-americana em várias partes do mundo.  Para o SJPERJ o posicionamento em defesa de Julian Assange segue os preceitos da defesa das liberdades de expressão e de imprensa.  O SJPERJ entende também que os defensores dos valores democráticos não podem silenciar diante de ameaças de nações a esses valores que para serem conquistados ao longo do tempo exigiram muitos sacrifícios de várias gerações em várias partes do mundo.

Solidariedade também na ABI

A Comissão de Defesa de Liberdade de Imprensa da ABI aprovou moção de solidariedade com o criador do Wikileaks, Julian Assange, na qual declara que a tentativa de impedir sua viagem para o Equador, que lhe concedeu asilo político, é “uma violação à consolidação internacional do direito de asilo”.

É o seguinte o texto da moção:
“A Comissão de Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI saúda o governo do Equador pela concessão de asilo político a Julian Assange, editor responsável do site Wikileaks.
A Comissão manifesta também repudio às ameaças feitas pelo governo britânico de não respeitar o direito de asilo político e até mesmo de utilizar o uso de violência para prender Assange no interior da representação diplomática do Equador em Londres.
Esse procedimento representaria uma total subversão do direito internacional e com isso se estaria abrindo um precedente perigoso à legislação internacional.  E seria uma violação  à consolidação institucional do direito de asilo, que sempre foi uma prerrogativa  respeitada através da história pelas nações.
Prestar solidariedade a Assange, que se for deportado para a Suécia o será posteriormente para os Estados Unidos, cujo governo não se conforma com as informações veiculadas no WikiLeaks sobre ações ilegais da diplomacia norte-americana em várias partes do mundo, é uma questão de coerência com a defesa dos valores democráticos que não devem e não podem ser desrespeitados pelas nações.
A Comissão de Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI entende que ao se posicionar em favor de Julian Assange está seguindo o importante preceito de defesa das liberdades de expressão e de imprensa.”

Discurso de Assange na Embaixada do Equador em Londres

“Falo daqui (da varanda), porque não posso estar mais perto de vocês (jornalistas). Obrigado por estarem aí. Obrigado pela coragem de vocês e pela generosidade de espírito. Na noite de 4ª-feira, depois de essa embaixada ter recebido uma ameaça, e de a polícia ter cercado o prédio, vocês vieram para cá, no meio da noite, e trouxeram, com vocês, os olhos do mundo.

Dentro da embaixada, durante a noite, eu ouvia os policiais andando pelas entradas de incêndio do prédio. Mas sabia que, pelo menos, havia testemunhas. Isso, graças a vocês. Se o Reino Unido não pisoteou as convenções de Viena e outras, foi porque o mundo estava atento e vigilante. E o mundo estava vigilante, porque vocês estavam aqui.

Por isso, da próxima vez que alguém lhes disser que não vale a pena defender esses direitos tão importantes para nós, lembrem a eles dessa noite de vigília, tarde da noite, na escuridão, à frente da Embaixada do Equador. Façam-nos lembrar como, pela manhã, o sol raiou sobre um mundo diferente, quando uma valente nação latino-americana levantou-se em defesa da
justiça.

Agradeço ao bravo povo do Equador e ao presidente Correa, pela coragem que manifestaram, ao considerar o meu pedido e ao conceder-me asilo político. Agradeço também ao governo e ao ministro do Exterior do Equador Ricardo Patiño, que fizeram valer a Constituição do Equador e sua noção de cidadania universal, na consideração que deram ao meu caso.

E ao povo do Equador, por apoiar e defender sua Constituição. Tenho uma dívida de gratidão também com o pessoal dessa embaixada, cujas famílias vivem em Londres e que me  manifestaram gentileza e hospitalidade, apesar das ameaças que todos eles receberam.Na próxima 6ª-feira, haverá reunião de emergência dos ministros de Relações Exteriores da América Latina em Washington, para discutir essa nossa situação. Sou extremamente grato ao povo e aos governos de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Honduras, México, Nicarágua, Peru, Venezuela e a todos os demais países da América Latina que  defenderam o direito de asilo.

Ao povo dos EUA, Reino Unido, Suécia e Austrália, que me deram apoio e força, mesmo quando seus governos me negavam qualquer direito. E às cabeças mais arejadas de todos os governos, que ainda lutam por justiça: o dia de vocês raiará.

À equipe, apoiadores e fontes de Wikileaks, cuja coragem, compromisso e lealdade foram sem iguais. Minha família e meus filhos, que vivem sem pai, perdoem-me. Logo  estaremos novamente reunidos.

Enquanto Wikileaks estiver sob ameaça, ameaçadas estarão também a liberdade de expressão e a saúde de nossas sociedade. Temos de usar esse momento para articular a decisão diante da qual está hoje o governo dos EUA.

Voltará o governo dos EUA a reafirmar os valores sobre os quais aquela nação foi fundada? Ou o governo dos EUA despencará do precipício, arrastando com ele todos nós, para um mundo perigoso e repressivo, no qual os jornalistas serão para sempre silenciados, pelo medo das perseguições, e os cidadãos serão condenados a sussurrar na escuridão?

Digo que isso não pode continuar. Peço ao presidente Obama que faça a coisa certa. Os EUA têm de desistir dessa caça às bruxas contra Wikileaks. Os EUA têm de cancelar a investigação pelo FBI, contra Wilileaks. Os EUA têm de se comprometer a não perseguir nem processar nosso pessoal, nossa equipe e nossos apoiadores.

Os EUA têm de prometer, ante o mundo, que nunca mais perseguirão jornalistas exclusivamente porque jornalistas lancem luz sobre crimes cometidos pelos poderosos. Têm de ter fim todos os discursos insanos sobre processar empresas de jornalismo, seja Wikileaks ou o New York Times.

A guerra do governo dos EUA contra os que apitam e lançam sinais de alarme justificado e legítimo tem de acabar. Thomas Drake e William Binney e John Kiriakou e tantos outros heroicos guardas avançados, que alertaram para os piores perigos que eles, antes de outros, viram chegar, têm de ser – eles têm de ser! – perdoados e indenizados pelos riscos a que se expuseram e pelos sofrimentos que padeceram, para bem cumprir seu dever, como bons servidores do interesse público.

E o soldado que permanece em prisão militar em Fort Levenworth, Kansas, que a ONU constatou que viveu sob as mais monstruosas condições de prisão em Quantico, Virginia, e que ainda não foi julgado, mesmo depois de dois anos de prisão, tem de ser posto em liberdade. Bradley Manning tem de ser libertado. Se Bradley Manning realmente fez o que é acusado de ter feito, então é herói e exemplo para todos nós, e um dos mais importantes prisioneiros políticos do mundo, hoje. Bradley Manning tem de ser libertado. Na 4ª-feira, Bradley Manning completou 815 dias de prisão sem julgamento. A lei estipula o prazo máximo de 120 dias.

Na 3ª-feira, meu amigo Nabeel Rajab, presidente do Centro de Direitos Humanos do Bharain foi condenado a três anos de prisão, por um tweet. Na 6ª-feira, uma banda russa foi condenada a dois anos de cadeia, por uma performance de conteúdo político. Há unidade na opressão. Tem de haver absoluta unidade e absoluta determinação na resposta. Obrigado.” Foto Carl Tribunal/AFP

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