Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio

Última Hora, um marco no jornalismo brasileiro

Posted by sindicatodosjornalistas em junho 22, 2011

Livro será lançado na ABI

 

Pinheiro Junior retrata em livro o jornal de celebridades

 “Ultima Hora (como ela era)”, escrito pelo atuante repórter deste jornal – Pinheiro Junior – será lançado a partir das 15hs do dia 13 de julho próximo pela editora Mauad X, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI, Rua Araujo Porto Alegre 71, 9º. Andar, Esplanada do Castelo, Rio).

   Segundo Pinheiro Junior “Ultima Hora encarnava o jornalista Samuel Wainer, assim como SW era a própria encarnação de UH”. Uma redundância aparente, explica ele, porque “a pessoa não existiria sem o objeto”.  E como se tratava de um jornal de celebridades que marcaram a história, UH personificava também o presidente Getúlio Vargas, que praticamente deu o jornal de presente e como prêmio a SW, cuja famosa reportagem “Ele voltará”, publicada nos Diários Associados, antes da fundação de UH, cunhou decisivamente a campanha de eleição do antigo ditador do Estado Novo brasileiro.

   Adianta Pinheiro Junior que “UH foi ainda o teatrólogo-jornalista Nelson Rodrigues até a deserção dele, numa ruidosa demissão do jornal que coincidiu com o fim da era JK. Mas se o presidente Juscelino Kubitschek preencheu em UH o vácuo financeiro e ideológico deixado pela tragédia getulista de 1954 (ano do suicídio de Vargas), Nelson Rodrigues foi embora do jornal para ninguém jamais tomar o seu lugar como folhetinista de penetração popular. O povo gostava de Nelson Rodrigues porque ele, o pretenso “reacionário”,  escrevia para o povo – “A vida como ela é” – neste jornal eminentemente popular e “progressista”  desde as origens em 12 de junho de 1971 – data da sua fundação”.

   Há ainda dezenas de importantes personagens no livro “A Ultima Hora (como ela era)”, todos com perfis marcados por Pinheiro Júnior, que se fez editor e diretor do jornal até seu fim em 1972, quando SW perdeu o jornal para próceres do governo militar.

  Pinheiro Junior diz que este é um livro de jornalismo narrativo e de memória explícita, mas também é o romance não ficção de um jornal cercado de comédias, dramas e tragédias em suas páginas e no próprio dia a dia da redação. “Uma história fascinante e imperdível, representada ainda pelo escritor Moacir Werneck de Castro, mais que o redator-chefe, um verdadeiro condottière da difícil sobrevivência intelectual deste que seria o mais massacrado dos jornais brasileiros. “Massacrado primeiro por elites sempre à direita dos acontecimentos. Depois pela longa ditadura que levou fontes e inspirações de UH à inanição”.

   O autor do livro analisa que “enquanto durou, a aparentemente contraditória presença de Nelson Rodrigues nesta matizada plêiade de pensadores e estadistas era exatamente o que dava charme à liberalidade sem fronteiras daquele empreendimento que nunca chegou a ser uma tradicional empresa como se espera de uma organização privada que precisa controlar (“ e castrar se preciso for”) os que a ela se submetem. Pois em UH tudo parecia funcionar como uma “fundação secreta” de propriedade coletiva de seus jornalistas, assegurando autonomia inédita a repórteres, redatores, articulistas e editores sem que essa liberdade se deteriorasse em anarquismo empresarial. Era uma coletivização, no entanto, que descambava para o suicídio. O tempo mostraria que o jornal não estava sendo administrado como talvez exigisse a convencional economia capitalista. Principalmente porque o lucro que a publicidade poderia carrear para um veículo de tanta aceitação – mas tão dependente do poder presidencial – atrelava-se a ideais nacionalistas, de desenvolvimento e de justiça social quase sempre do desagrado da oposição que detinha forças maiores”.  

   Samuel, Getúlio, Nelson, Juscelino e Moacir personificaram realmente Ultima Hora. Eles saltam das páginas deste livro com tão exclusiva influência e clara função que o leitor pode intuir por que o autor subestima momentos meteóricos da assunção de Jânio Quadros que deram lugar à tormenta sobre Jango Goulart e ao castigo dos militares. Eram imposições que pareciam indicar, por si só, que se UH já não podia ser mais UH como ela era, a trajetória do jornal se encerrava ali. Quando a liberdade e a tolerância, ainda que minimamente possíveis, começaram a ser esmagadas. “Ficou evidente que UH só podia continuar sendo UH enquanto mantivesse as características que a benzeram no nascimento como um jornal do povo privilegiado pela participação de intelectuais como Rubem Braga, Di Cavalcanti, Vinicius de Morais, Jorge Amado, Adalgisa Nery, Stanislaw Ponte Preta, Alex Vianny, José Louzeiro e Antônio Maria, entre muitos outros”.

   O livro mostra que UH foi também um jornal de super-reportagens. Daí que o autor é exatamente o repórter que ganhou celebridade por desenvolver o que na época foi chamado de “jornalismo de cruzado” com campanhas que mobilizaram o País.  Uma delas foi a famosa reportagem sobre a juventude transviada carioca, que marcou época em 1957.

“Um jornal com prazo de validade”

    O livro de Pinheiro Junior mostra ainda que nem tudo era dramático no jornal Ultima Hora. Porque lá estavam figuras gaiatas, gozadoras e piadistas que não se enquadravam em ideários por menos disciplinadores que fossem. Assim abasteceram de riso os episódios desta obra que divertem o leitor com o circo que abria sua lona na redação de UH e mobilizava comediantes, além de Nelson Rodrigues, como o editor Augusto Donadel e o repórter Amado Ribeiro. “Pena que UH de Samuel Wainer parece ter nascido com prazo fixo de validade” – lamenta o autor de “A Ultima Hora (como ela era)”. Alegre mas doloroso, este jornal empolgou o País enquanto os inimigos da liberdade deixaram que ele fosse autêntico. Por isso, a história (e lenda) de UH se confunde e se mistura com a própria história (e lenda) dos presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart, protagonistas privilegiados ao lado de dezenas de outras personalidades do jornalismo e da política de uma época das mais conturbadas da nossa História.

   O prefácio do livro é do jornalista Maurício Azêdo, presidente da ABI, ele próprio dos mais marcantes redatores e colunistas de UH, ao lado de João Saldanha, Jacintho de Thormes (colunista social e comentarista esportivo), Geraldo Escobar e atletas insuperáveis como Ademir Menezes e Ademar Ferreira da Silva, os quais emprestaram seu conhecimento às páginas de UH.

O autor de “Ultima Hora (como ela era)” – jornalista José Alves Pinheiro Júnior – foi durante 17 anos repórter, redator, editor e por fim diretor responsável do jornal que SW fundou. Passou pelas principais editorias de jornais do País, movimentou rádios e participou de redes de TV. Hoje escreve livros. Dentre os quais “Esquadrão da Morte” (Coordenada Editora de Brasília), “Mefibosete e outros absurdos” (Europa), “Aventuras dos meninos Lucas-Pinheiro” (Europa) e “Bombom Ladrão” (Auracom).

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